Linha de embalamento parada ao fim do dia, com servomotor desmontado e saco de ferramentas em primeiro plano

Sexta-feira, 16h40, a linha parou: aquisição de peças de substituição sob pressão

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Nota: a história seguinte é um cenário típico. Foi composta a partir de situações que ocorrem em muitas fábricas. Pessoas, empresa e pormenores não são reais.

Um fabricante de produtos alimentares, algures na Europa. Uma linha de embalamento que dobra, enche e fecha caixas de cartão. A linha funciona em três turnos. Na segunda-feira começa uma semana promocional para um grande cliente da distribuição. O stock está planeado para o fim de semana. É sexta-feira, 16h40.

16h40: paragem

A formadora de caixas para. No painel de comando pisca um alarme do eixo. O chefe de turno reconhece o alarme, a máquina arranca e volta a parar. Após a terceira tentativa, chama a manutenção.

O eletricista mede, verifica fichas e cabos e troca o cabo para testar. Resultado: o próprio servomotor está avariado. O enrolamento está em curto-circuito. A peça tem de ser substituída.

17h05: uma vista de olhos ao armazém

No armazém de peças de substituição há um servomotor que, à primeira vista, serve. Mesmo fabricante, designação semelhante. Olhando com atenção, falta-lhe o travão de retenção e o veio tem outra execução. O motor foi comprado há anos para outra máquina e nunca foi utilizado.

Aqui surge o primeiro padrão de muitas emergências: o armazém tem peças, mas não as certas. Sem dados mestre bem mantidos, isso só se nota quando já é tarde demais.

Numa emergência, o que decide não é a rapidez com que encomenda. É a precisão com que sabe o que está a encomendar.

17h20: o pedido

A responsável da manutenção assume o comando. Sabe que, numa situação destas, um pedido pouco claro custa mais tempo do que qualquer via de transporte. Por isso, antes de pegar no telefone, reúne:

  • Placa de características: fotografia nítida e completa, incluindo a referência de encomenda com todos os sufixos.
  • Número de série do motor e da máquina.
  • Situação de montagem: fotografia do motor montado, do veio e da ficha.
  • Dados técnicos: binário nominal, velocidade, travão sim ou não, tipo de encoder.
  • Variador: tipo e versão de firmware do controlador de acionamento associado, caso um motor de outro fabricante seja uma opção.
  • Urgência: formulada com honestidade. A linha tem de voltar a funcionar na segunda-feira de manhã.

Envia estas informações ao fabricante da máquina e a um parceiro de compras multimarca com quem a fábrica trabalha regularmente. Em paralelo, não um após o outro.

18h00: as opções

Ao início da noite há três caminhos em cima da mesa:

Opção Vantagem Senão
Motor original através do fabricante da máquina encaixa com certeza o fabricante indica um prazo de entrega de várias semanas
Motor original do stock de um distribuidor no estrangeiro peça idêntica a origem e o estado têm de ser verificados
Reparação do motor avariado não é necessária uma peça nova dano no enrolamento, duração incerta

A decisão recai sobre o stock do distribuidor, com uma condição clara: antes do envio, o motor é verificado quanto ao tipo, estado e integridade. Em paralelo, o motor avariado segue para reparação. No futuro, servirá de reserva.

Sábado: a receção de mercadorias

O motor chega. A manutenção compara a placa de características com a fotografia do motor antigo. Referência de encomenda, execução do veio, travão, ficha: está tudo certo. A montagem demora poucas horas. Segue-se o arranque com a parametrização no variador.

Um pormenor que, sob pressão, se esquece facilmente: depois de trocar um servomotor, o acionamento tem muitas vezes de aprender primeiro o novo encoder. Quem esclarecer isto antes com o fabricante ou com o programador poupa no sábado uma hora de diagnóstico de avarias.

Segunda-feira: a análise posterior

A linha está a funcionar. A semana promocional começa à hora prevista. Na segunda-feira à tarde, a equipa reúne-se. Não para procurar culpados, mas para responder a três perguntas:

  1. Porque é que não tínhamos o motor certo em armazém?
  2. Que outras peças desta linha poderiam avariar da mesma forma?
  3. O que nos teria poupado uma hora na sexta-feira?

As respostas são desarmantemente simples. O motor nunca tinha sido classificado como crítico. O motor errado no armazém tinha uma designação imprecisa. E as fotografias da placa de características já há muito podiam estar nos dados mestre.

Quanto pode custar um fim de semana: um exemplo de cálculo

A linha voltou a funcionar a tempo. Mesmo assim, vale a pena olhar para os custos. Os valores seguintes são fictícios e servem apenas para ilustração. Utilize os seus próprios números.

  • Paragem de sexta-feira à noite até sábado à hora de almoço: cerca de dezoito horas de produção perdida
  • Turnos extraordinários do eletricista e da chefia da manutenção na sexta-feira à noite e no sábado
  • Sobretaxas de urgência pela compra a curto prazo
  • Reparação do motor avariado
  • Trabalho de análise posterior na segunda-feira

Somando estas parcelas, o total costuma ultrapassar várias vezes o preço de um motor de reserva. Isto não é uma afirmação sobre a sua fábrica. Mas é um cálculo que todas as fábricas deveriam fazer uma vez para as suas próprias peças críticas. É o argumento mais forte em qualquer discussão sobre stocks de peças de substituição.

E se a linha não tivesse voltado a funcionar até segunda-feira?

Também isto faz parte de uma análise honesta. Nem todas as emergências acabam bem. Por vezes, a peça não está disponível a curto prazo em lado nenhum. Nesse caso, só ajudam o plano B e o plano C: uma reparação urgente, uma peça de uma instalação idêntica noutra fábrica, uma adaptação provisória ou a transferência da produção. Quem já pensou nestas opções para as suas instalações mais importantes decide mais depressa e com mais calma quando chega a hora.

O que este cenário ensina sobre a aquisição de peças de substituição

1. Os dados valem mais do que a velocidade

Quem tem à mão a placa de características, os dados técnicos e a situação de montagem encurta qualquer pedido. Guarde fotografias e fichas técnicas das peças críticas nos dados mestre enquanto a instalação está a funcionar.

2. Em paralelo, não em sequência

Numa emergência, consulte várias vias ao mesmo tempo. Fabricante, distribuidor e reparador precisam, cada um, do seu próprio tempo. Quem pergunta um após o outro soma esses tempos.

3. Conhecer as alternativas de antemão

Saber se um motor de outro fabricante ou um modelo sucessor serve é algo que se esclarece melhor com calma do que numa sexta-feira à noite. Para acionamentos críticos, compensa verificar tecnicamente e documentar alternativas compatíveis com antecedência.

4. Verificar antes de montar

Sobretudo com peças de stocks de distribuidores, a regra é: verificar tipo, estado e integridade antes de o técnico chegar. Uma peça errada no sábado de manhã é pior do que uma peça certa no sábado à hora de almoço.

5. Transformar o dano em reserva

Muitas peças avariadas podem ser reparadas. Um motor reparado na prateleira vale ouro na próxima avaria.

A lista de verificação de emergência para a sua manutenção

Afixe esta lista no local de onde se telefona em caso de emergência:

  • Fotografia da placa de características, completa e legível
  • Fabricante e referência de encomenda completa
  • Número de série da peça e da máquina
  • Fotografia da situação de montagem e das ligações
  • Dados técnicos essenciais da peça
  • Quantidade necessária e local de entrega
  • Data-alvo realista
  • São tecnicamente permitidas alternativas? Quem as aprova?
  • Quem está contactável ao fim de semana?

Onde um parceiro de compras ajuda

Desde 1976, a KTB Europe adquire peças de substituição para clientes industriais em todo o mundo, de forma multimarca e internacional. Numa emergência, isso significa: procuramos a peça ou uma alternativa tecnicamente adequada junto de diferentes fornecedores e países e voltamos ao contacto com opções concretas, preços e prazos de entrega. A mercadoria adquirida é verificada no nosso armazém central quanto à qualidade e à quantidade.

Pode ver como decorre um pedido na nossa página sobre aquisição de peças de substituição. Para que a próxima sexta-feira seja mais tranquila, vale também a pena conhecer a nossa gestão de peças de substituição.

Conclusão

As emergências não se podem eliminar. Mas podem ser encurtadas. A maior parte do tempo não se perde na estrada nem no ar, mas em pedidos pouco claros, em peças erradas no armazém e em decisões que só são tomadas sob pressão.

Precisa neste momento de uma peça que lhe falta? Envie-nos a fotografia da placa de características e a referência da peça através da página de contacto.

Perguntas frequentes

De que dados preciso para uma aquisição rápida de peças de substituição?

O mais importante são o fabricante e a referência de encomenda completa, uma fotografia nítida da placa de características, o número de série da peça e da máquina e uma fotografia da situação de montagem. São também úteis os dados técnicos essenciais, a quantidade necessária, o local de entrega e uma data-alvo realista. Quanto mais completo for o pedido, menos perguntas adicionais surgem.

Numa emergência, devo consultar vários fornecedores ao mesmo tempo?

Sim. Fabricante, distribuidor e reparador precisam, cada um, do seu próprio tempo para análise e proposta. Quem pergunta um após o outro soma esses tempos. Pedidos em paralelo encurtam claramente o caminho até à decisão. É importante dar a todos as mesmas informações completas, para que as propostas sejam comparáveis.

Posso utilizar uma peça de substituição de outro fabricante?

Muitas vezes sim, se a peça for compatível em forma, função e ligações. Nos acionamentos e componentes de controlo, isso inclui também o tipo de encoder, a comunicação e o software. A aprovação deve ser tecnicamente fundamentada e documentada. O ideal é esclarecer alternativas para peças críticas com antecedência, e não apenas numa emergência.

Como evito que uma emergência destas se repita?

Avalie a criticidade das suas peças de substituição em conjunto com a manutenção, guarde fotografias, fichas técnicas e referências completas das peças críticas nos dados mestre e verifique se as peças em armazém correspondem realmente às peças montadas. Mande reparar as peças avariadas e mantenha-as como reserva.

MD

Sobre o autor

Mica Duarte

Senior Procurement Specialist na KTB Europe, com mais de 15 anos de experiência em sourcing global de MRO e gestão da cadeia de suprimentos.

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